"Talvez você não queira
comprar este livro. Eu sei, não se espera que um autor diga esse tipo de coisa.
Mas prefiro ser honesto com você logo de saída. Acho justo avisar que esta é
uma história um pouquinho estranha. Não gosto muito de dar spoilers, mas basta
dizer que esta aqui é... diferente. Não tem um monte de coisas que se espera de
uma história clássica. Por outro lado, se você gosta de palavras e mistérios e
segredos, este livro tem muito a lhe oferecer. Se sente curiosidade sobre os
Subterrâneos e a alquimia. Se deseja conhecer melhor os meandros ocultos do meu
mundo... Bem, nesse caso, talvez este livro seja para você." - Patrick Rothfuss
O livro começa exatamente assim, com um aviso do autor. Confesso que me
pegou de surpresa e me deixou com receio de começar a ler esta história,
afinal, quando se trata desse autor, logo vem a expectativa de ser uma história
como As Crônicas do Matador do Rei, com heróis como Kvothe e enredos muito bem
amarrados.
Logo nas primeiras páginas do livro, o aviso do autor começou a fazer
sentido pra mim, realmente, essa não é uma história como as outras, e
definitivamente não foi uma história pra mim. A Canção do Silêncio nada mais é
do que a narração literal do dia a dia de Airu nos subterrâneos. Patrick nos
conta como Airu levanta, quantas escovadas ela dá quando penteia o cabelo, como
ela escova os dentes, e nos fala sobre a sua fixação em deixar todas as coisas
nos lugares certos, como se ela tivesse um tipo de TOC.
Esse TOC da garota não é narrado de forma negativa, pelo contrário,
conforme vamos lendo a história de Airu, vamos sentindo uma poesia, um tipo de
magia em tudo que a garota faz, percebendo aos poucos que ela tem o dom de
sentir os objetos, que eles de certa forma se comunicam com ela pra que a
garota deixe o ambiente em harmonia.
A narrativa é simples, mas maçante. Pensei que iria pelo menos saber
como Airu foi parar nos subterrâneos, o que levou a garota a abdicar de seus
estudos, saber sobre a família dela, mas ao invés disso, o autor achou
importante contar em 10 páginas como ela fazia o sabonete para tomar banho.
Ainda me pego pensando nessa história, tentando entender o que o autor
quis passar, mas não consigo descobrir. O sentimento que ficou depois da
leitura foi carinho por Airu, e admiração pela sua simplicidade, sobrevivendo
somente com o necessário, sem cobiçar o que não era dela, optando por uma vida
minimalista, livre de acumulação.
A história não foi pra mim e terminar o livro virou questão de honra,
levei 15 dias pra ler 140 páginas, quando normalmente levo três horas. Ainda
sim, acho que valeu a leitura, por ter me tirado da zona de conforto e aberto
minha mente pra outros tipos de narrativa.


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