Sabe, eu sempre tive medo do novo.
Sempre tive medo de sair da zona de conforto e enfrentar qualquer desafio que a
vida pudesse me trazer. Mesmo que eu nĂŁo estivesse satisfeita com o momento em
que eu estava vivendo, a comodidade da estagnação me fazia sentir segura.
Mas vocĂȘ acaba se transformando em
uma pessoa isolada e amarga quando se esforça muito pra desempenhar suas
atividades, se preocupa em encontrar formas pra consertar erros, estĂĄ sempre
estudando e tentando ser a sua melhor versão e depois de tanto esforço não tem reconhecimento.
A estagnação e o empenho sem retorno
estavam me tornando uma pessoa desagradĂĄvel, rabugenta e estressada, dessas que
ninguém gosta muito de ficar perto. Foi então que eu comecei a pensar se estava
valendo a pena continuar como eu estava, e todas as vezes que eu me fiz essa
pergunta a resposta foi nĂŁo.
Comecei a refletir sobre o porquĂȘ de
eu estar na situação que eu estava e não fazer nada a respeito e uma série de
desculpas que eu costumo dar a mim mesma vieram na hora: “vocĂȘ tem dĂvidas, o
paĂs estĂĄ em crise e nĂŁo tem oportunidade, vocĂȘ estĂĄ numa situação estĂĄvel, vai
trocar o certo pelo duvidoso? serĂĄ que vocĂȘ Ă© capaz de conseguir algo melhor?”.
Auto-sabotagem.
Num determinado momento dessa semana
eu tive a oportunidade de escolher um caminho diferente. Tive dois minutos pra
pensar e soube naquele instante que uma atitude minha poderia me tirar da
situação que estava me transformando nessa pessoa horrĂvel, uma Ășnica atitude
que seria vista como confronto, como uma tentativa de passar por cima da
autoridade de alguém, mas que na verdade era um grito de liberdade, e faria com
que eu começasse a trilhar um novo caminho, um caminho onde eu redescobriria
quem eu sou.
Chances como essa, em que vocĂȘ pode
antecipar com 100% de certeza o resultado de uma escolha sĂŁo raras, entĂŁo
encontrei força onde não existia, busquei meus vinte segundos de coragem insana
e decidi ali, naquele momento, que iria dar um salto no escuro, soltar as
amarras, e parar de procrastinar as mudanças que eu quero pra mim, começar a
descobrir quem Ă© essa mulher de agora, que quer tanto fazer coisas diferentes e
aprender mais sobre si mesma.
Ao fazer essa escolha, fiz uma
renĂșncia Ă pessoa em que me transformei, Ă segurança que eu sentia, ao medo de
enfrentar coisas novas, à falta de valorização que me frustrava, às cobranças e
ao empenho sem retorno. Renunciei a quase tudo que me fazia mal e tirei um peso
grande de mim. SaĂ da zona de conforto.
Hoje tive o resultado que eu esperava
e honestamente, estou me sentindo muito bem, me sentindo em paz. Pode ter sido
um erro, mas eu quero viver mesmo que seja porque cansei do comodismo, quero
sentir novas vibraçÔes, conhecer novas pessoas, descobrir o que eu quero fazer
a partir de agora.
Passei muitos anos presa numa gaiola com
as asas amarradas e sei que vou demorar até reaprender a voar. Mas hoje, quando
eu pude finamente voltar a abri-las me senti livre, me senti como eu mesma de
novo, e posso dizer com o coração leve, que estou pronta para o meu primeiro
vĂŽo.

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