"E não me chame de
cara!"
Jack Sawyer é um garoto de 12 anos que vive sonhando acordado. Ele
chama esses lapsos de Sonhos de Olhos Abertos, e acha que são frutos de sua
imaginação.
Depois da morte de seu pai, a mãe de Jack, resolve levar o garoto
para umas férias prolongadas no Hotel Alhambra, e a princípio, Jack acha mesmo
que são só férias, mas depois, ele descobre que a sua mãe está muito doente
(com câncer), e o levou pra lá porque planeja viver seus últimos momentos em
paz com o filho.
Os sonhos de olhos abertos de Jack começam a tomar uma proporção
realmente assustadora, e ao conhecer o velho Speedy num parque local, o garoto
percebe que na verdade ele não está sonhando, mas sim atravessando para uma
dimensão paralela chamada de Territórios.
Não bastasse essa descoberta assustadora, Speedy conta a Jack que
ele pode curar sua mãe do câncer, se encontrar o Talismã, um objeto sagrado de
grande poder, capaz de coisas grandiosas e inexplicáveis.
Encontrando o Talismã, ele não só salvará sua mãe, como também
salvará a “dupla” dela, a Rainha dos Territórios, uma espécie de “segundo eu” de
sua mãe que vive nessa dimensão e que também está doente.
Jack Viajante, como seu pai o chamava, é um garoto despreparado e
muito jovem que terá que enfrentar muitos perigos para alcançar seu objetivo,
não só nos Territórios como no seu próprio mundo.
O pior pra mim durante a leitura não foram as criaturas
amaldiçoadas do mundo de fantasia, mas sim, o fato de me deparar com os piores
seres humanos que um garoto poderia encontrar pelo caminho. É claro que Jack
corria um grande perigo ao se deparar com os monstros fantásticos que deixariam
qualquer criatura de filme de terror no chinelo, mas os monstros do seu próprio
mundo eram, sem dúvida nenhuma, muito piores.
Na maioria dos livros do King, percebemos que os personagens
percorrem a linha tênue entre a bondade e a maldade, mas não foi o que
aconteceu neste, os personagens ou eram maus, ou eram bons, não houve um meio
termo.
Falar de um livro do King nem sempre é fácil, pois ele faz o
gênero ame ou odeie. Eu amo as histórias dele, mesmo sabendo que o final nem
sempre será satisfatório. No caso desse livro, o final foi bem longo, sem
pontas soltas, só fiquei mesmo na vontade de saber mais sobre a Rainha dos
Territórios e sobre o duplo de Jack, o garoto Jason, que faleceu quando era um
bebê.
Se você é fã do King como eu e curtiu a série A Torre Negra vai
adorar ver nesse livro incontáveis elementos que fazem parte dessa saga. Dentre
todos os livros do King que eu li até agora, acho que esse é o que tem mais
menções à Torre e ao feixe de luz. É impossível não associar uma história com a
outra.
Para conferir mais resenhas desse autor, é só clicar aqui.

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