Domingo,
observando a chuva caindo na minha janela, fiquei pensando sobre quanto tempo
faz que eu não admiro os pequenos milagres do meu dia.
Ver a água
caindo me trouxe um sentimento gostoso de nostalgia. Lembrei de um tempo em que
eu tomava banho de chuva de camisola, descalça no quintal, com o vento frio
batendo na pele. Esse contato com a natureza me deixava mais leve, como se a
chuva pudesse lavar todo o peso que eu carregava naquela época.
Quem me via,
achava que eu era louca, mas analisando isso hoje, eu consigo ver um pouco de
poesia e beleza nessa conexão que eu tinha com o que era simples e verdadeiro.
Ainda hoje
paro no meio do caminho pro trabalho pra admirar uma flor, ou fotografar uma
árvore que está florindo em pleno inverno, mas não sou mais como eu era antes,
essa conexão que eu tinha se perdeu, e eu acho uma pena, pois o mundo em que eu
vivo hoje é muito cinza, muito mecânico e repleto de pessoas frias.
Me pareceu
na hora que essa conexão com o simples era exatamente o que eu precisava,
então, esperei meus filhos dormirem e abri a janela do quarto pro frio entrar.
E foi engraçado como o efeito do frio na minha pele e as pequenas gotas de
chuva que caíram sobre o meu rosto me fizeram voltar no tempo e me sentir com
vinte e poucos anos outra vez.
Não saí pro
quintal como quando eu era mais nova porque a idade quando chega nos impõe um
limite estranho sobre fazer coisas impulsivas por medo de ser vista e julgada
como boba, mas ainda assim, me senti como eu mesma, admirando essa força e
energia que muitas vezes nos é imperceptível.
Tenho feito
algumas mudanças na minha vida e voltar a me conectar comigo é uma muito
importante. Por isso me afastei daqui um tempo, e agora estou voltando. Precisava
de mais tempo pra mim, pra observar as coisas simples, pra conversar comigo
mesma, pra ficar sem fazer nada e tomar banho de chuva. Sem cobranças, sem
responsabilidades, sem escrever por obrigação.
Estou de
volta, um pouco mais eu.

Aeeee
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