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Hoje ela acordou
triste, tão triste que nem tem vontade de levantar da cama e encarar mais um
dia igual, dia da marmota, uma repetição sem fim.
Ela se força a levantar,
vai ao banheiro, não reconheceu seu reflexo no espelho. A mulher então olha de
volta pra ela, com os cabelos emaranhados, a pele sem viço, os olhos sem
brilho, os lábios rachados, com olheiras e a expressão de quem queria estar em
qualquer lugar menos ali.
Faz a primeira
tentativa, com muito sacrifício lava o rosto, sem se pentear faz um coque,
escova os dentes e se olha mais uma vez. Ainda não se reconhece, não é ela quem está ali.
Hoje ela acordou
deslocada, errada, feia, nada que ela fala faz sentido, tudo sai no tom errado,
como se outra pessoa falasse por ela.
Não importa se ela é
pós graduada, se fala três idiomas, se lê mais de quarenta livros no ano, se é
antenada em séries e música, hoje ela acordou desinteressante, sem saber
formular frases concisas, sem saber como participar de qualquer conversa,
acordou burra.
Ela se coloca no modo
automático, sem pensar muito faz o café, ajeita as coisas dos filhos, acorda as
crianças pra ir pra escola. O dia passa como todos os outros, mas ela realmente
está ali? Ela está sentindo alguma coisa além do vazio que cisma em abrir o seu
peito? Ela está vivendo ou sobrevivendo?
Se força a sorrir,
responde as perguntas que lhe fazem de modo monossilábico, será que quem está
ao seu redor percebe que ela nem tem mais forças pra chorar? Que ela não sabe
como pedir ajuda sem parecer fraca?
Ela tem medo que
julguem seu sentimento como fingimento, frescura ou fraqueza, justo ela que
sempre foi tão forte...
O dia passa como os
outros, com ela se forçando, se obrigando a fazer qualquer outra coisa que não
seja ficar deitada na cama esperando passar, esperando voltar a ser quem ela é,
divertida, extrovertida, falante, mas isso não acontece, ainda bem que lhe
resta um pouco de força pra fingir mais alguns minutos antes de todos irem
dormir.
Eles dormem e ela
chora em silêncio, isolada, não consegue dormir até de madrugada, não até o Sol
começar a nascer, dorme sem perceber, como todas as noites, com o coração
pesado e os olhos inchados de tantas lágrimas, uma tentativa frustrada de
deixar o peito mais leve.
E quando acorda, tudo
recomeça, porque hoje, só hoje, ela acordou triste...

Não sei se elogio o texto ou se choro por ter me identificado rs
ResponderExcluirJá passei por dias assim, vários e vários... =/